No Refúgio do Cacupé, cada pedra, cada curva do litoral e cada pôr do sol conta uma história. Mas algumas histórias têm nomes e rostos que tornam a memória ainda mais viva.
Luiz Carlos Felizardo (1949–2025) foi um fotógrafo porto-alegrense considerado uma figura fundamental da fotografia brasileira. Reconhecido por suas obras em preto e branco, Felizardo documentou paisagens urbanas e naturais do Rio Grande do Sul e de outros lugares do Brasil, criando imagens que combinam técnica, sensibilidade e poesia visual. Sua obra mais conhecida em Florianópolis é a série “Viagem às Rochas de Cacupé”, produzida em 1982.

As fotografias desta série capturam a beleza singular das pedras e do litoral de Cacupé, transformando o que muitos apenas observavam em arte atemporal. Algumas dessas imagens fazem parte do acervo de museus brasileiros, como o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), que recebeu doações do artista em 2011. É possível também conferir suas obras em galerias especializadas, como a Ocre Galeria e a Utópica Fotografia.






A Arte de Capturar a Luz
“Tio Feliz” — como foi carinhosamente apelidado pelo pessoal da pousada — não apenas visitava o Cacupé; ele o enxergava. Com câmeras antigas de tripé, aproximava-se das pedras, observava a luz, enquadrava a cena e esperava pacientemente pelo instante perfeito. Esse cuidado transformava cada fotografia em uma obra de arte, em um registro poético do que muitos de nós apenas admirávamos ao passar.

Verão, Amigos e Música
Nos tempos em que o Refúgio ainda não existia como hotel, grupos de amigos gaúchos chegavam para as férias de verão, montavam suas barracas e viviam dias inteiros cercados pela natureza e pela amizade. Quando a noite caía, Feliz pegava seu violão e preenchia o ar com Chacareras, Zambas e Sambas. Cada acorde e cada canção eram tão memoráveis quanto suas fotos, refletindo a alma de um verdadeiro artista.
Um Legado que Permanece
Recentemente, Feliz nos deixou fisicamente, mas sua presença permanece no Refúgio do Cacupé. Seu espírito vive em cada canto, inspirando o Espaço Pedro Saraiva de Cultura e encantando visitantes e colaboradores. Suas fotos se espalharam pelo mundo, recebendo reconhecimento, como o prêmio “Mestras e Mestres das Artes” em 2023.

Hoje, cada quarto do Refúgio guarda um pouco da sensibilidade e do olhar de Luiz Carlos Felizardo.
Que sua obra continue a inspirar e se espalhar, tio Feliz, assim como seus registros continuam a nos encantar.
